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Histórico

E. Rodrigues e Mabel de M. Rodrigues
Instituto de Química de São Carlos
Departamento de Química e Física Molecular
São Carlos, 13560-970, SP, Brasil

RESUMO

Relata-se o desenvolvimento histórico, a partir de 1960, na Escola de Engenharia de São Carlos, da implantação da química em nível de pesquisas básicas e aplicadas, programas de pós-graduação e graduação e a instalação e desenvolvimento do Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC), a partir de 1968, e seu desdobramento posterior nas unidades atuais: IQSC a IFSC.

ABSTRACT

The historical development of Chemistry in São Carlos< is reported beginning in 1960, initially in the school of Engineering of São Carlos, comprising basic research, graduate and undergraduate programs and the foundation of the Institute of Physics and Chemistry of São Carlos, in 1968, later split into two institutions, Institute of Chemistry and Institute of Physics.

1. INTRODUÇÃO

A Escola de Engenharia de São Carlos, no final da década de 50, e no decorrer da década de 60, foi palco de uma verdadeira revolução com a implantação de atividades de pesquisas básicas em Física e Química, o que culminou com a constituição do Instituto de Física e Química (IFQSC), na ocasião da grande reforma universitária de 1968.

Na presente exposição procuramos relatar, de modo sucinto, os principais episódios que levaram à implantação da Química no campus de São Carlos, a constituição de suas atividades de pós-graduação e graduação e o desenvolvimento de seus grupos de pesquisas cujas atividades persistem até hoje.

2. DÉCADA DE 50 - AS RAÍZES

Um grupo de jovens idealistas que queriam fazer pesquisas científicas, Armando Dias Tavares,

Sérgio Mascarenhas, Yvonne Primerano Mascarenhas, Mabel Rodrigues e Edson Rodrigues, na primeira metade da década, fazia parte do grupo de pesquisas do Professor Joaquim da Costa Ribeiro, da Cadeira de Física Geral e Experimental, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Foram os primeiros bolsistas do recém criado Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e desenvolviam suas atividades nos departamentos de Física, Química, Geologia e Biologia, no Instituto Nacional de Tecnologia do Rio de Janeiro, Instituto Oswaldo Cruz e Departamento da Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia.

Este ambiente variado ainda incluía o recém constituído Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e a Academia Brasileira de Ciências e a recém criada Comissão de Energia Nuclear (CNEN).

Em 1955 Edson Rodrigues vai para o Departamento de Física da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e, retornando em 1959, dá início, com Armando Dias Tavares a um novo grupo de pesquisas dedicadas à Ressonância Magnética.

Desenvolveram, também, um curso de Estudo da Energia Nuclear, de dois anos de duração, que contava com cerca de 100 alunos, sob patrocínio da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Alguns alunos da Física e deste curso, (Almir Massambani, Sylvío, Goulart Rosa Júnior, Bohdan Matvienko, Rogério Cantarino Trajano da Costa), anos mais tarde, vieram para São Carlos.

Sérgio Mascarenhas e Yvonne Primerano Mascarenhas, após 1955, tomaram-se professores da Escola de Engenharia de São Carlos. Sérgio Mascarenhas conquistou por concurso a Cátedra de Física Geral e Experimental a deu início à constituição de um grupo de pesquisas em Física dos Sólidos em condições materiais extremamente precárias na ocasião. Contando com o apoio integral do diretor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), Theodureto de Arruda Souto, trouxe do Rio de Janeiro um variado número de colaboradores iniciando um período extremamente frutífero para a Física no Brasil, ao longo dos anos, em São Carlos.

A morte prematura de Joaquim da Costa Ribeiro (1959) deixou o seu grupo de pesquisas em situação difícil mas tal situação foi equilibrada por Armando Dias Tavares que passou à liderança.

Em 1960 Edson Rodrigues e Mabel Rodrigues, por insistência de Sérgio Mascarenhas, resolveram estabelecer-se em São Carlos, nas Cadeiras de Mecânica Geral, Química Geral e Geologia, respectivamente.

3. DÉCADA DE 60 - A GRANDE REFORMA DA UNIVERSIDADE. FUNDAÇÃO DO IFQSC.

As Cadeiras de Física Geral e Experimental, Mecânica Geral e Matemática (Achilles Bassi, Gilberto Loibel e outros) e mais a biblioteca de Física e Matemática, funcionavam na antiga sede da EESC, no prédio da Rua 9 de Julho, no centro de São Carlos. Os porões deste antigo prédio, construído no começo do século pelos imigrantes italianos de São Carlos, mantenedores da Sociedade Cultural Dante Allighiere, sob a ação de Sérgio Mascarenhas e Yvonne Primerano Mascarenhas, transformaram-se em laboratórios de pesquisas e uma pequena oficina mecânica. No andar térreo, a Física e a Mecânica Geral tinham suas salas de aulas e secretarias. A biblioteca ficava no 1°- andar.

A Cátedra de Mecânica Geral, neste período, consolidou-se pelo concurso público de seu titular (1964) e desde 1962 expandiu suas atividades com instalação de um laboratório de pesquisas de magnetismo em sólidos (Ressonância Nuclear Quadrupolar Pura e Ressonância Paramagnética de Elétrons), coadjuvando os esforços da Cátedra de Física Geral e Experimental. Vários antigos alunos e colaboradores do Rio de Janeiro são contratados para a Mecânica Geral. Almir Massambani (1962), Bohdan Matvienko (1965), Sylvio Goulart Rosa Júnior (1965) e Rogério Cantarino Trajano da Costa (1969). Neste período as atividades didáticas de Química na EESC estavam a cargo de Renato Salmoni, professor em tempo parcial, mas as de pesquisas e laboratoriais, a cargo de Mabel Rodrigues e Viktoria Lakatos, além de Mário Tolentino com atividades técnicas.

O clima intelectual que se instalou nas cadeiras de ciências básicas da EESC, com atividades de pesquisas avançadas englobando a física, química, matemática e as diferentes modalidades de engenharia, ativadas pela ação dinâmica dos titulares de Física e Mecânica Geral, teve efeitos notáveis na procura de condições institucionais adequadas.

Este clima propício era também fruto da presença, desde 1960, de professores das melhores universidades americanas, da Universidade da Califórnia (Berkeley), Universidade de Pittsburgh, Universidade de Princeton, etc., Naval Research Laboratories, como visitantes, para estada curta ou anual, com suas famílias, patrocinados por um programa da Comissão Fulbright, de seis anos de duração, que os titulares das cátedras conseguiram junto ao governo americano e em convênio com a USP.

A revolução de 1964 perturbou e agitou a vida universitária, criando situação de insegurança e restrições para os alunos e docentes.

Tais ações, embora prejudiciais, não afetaram o curso de desenvolvimento da pesquisa em São Carlos. A necessidade de uma reforma na vida universitária tornou-se urgente em 1968. Aí surgiu a oportunidade de sair da estrutura antiga de cátedras e formar os departamentos, constituindo os institutos básicos. O clima próprio a mudanças e a intensa atividade internacional desenvolvida com o Programa Fulbright, em Física dos Sólidos, permitiu a constituição do Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC) com dois departamentos: Física e Ciência dos Materiais, com Sérgio Mascarenhas e Química e Física Molecular (DQFM) com Edson Rodrigues.

A constituição de um departamento a partir da cátedra de Mecânica Geral, e ainda mais, englobando a parte de Química da cátedra de Química e Geologia da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), encontrou inicialmente forte resistência na Física e na Engenharia. Porém amplas discussões sobre o assunto levaram a um consenso de que haveria grande probabilidade de êxito na organização de atividades de Química em São Carlos.

Aprovada a nova estrutura pela USP, as cátedras de Mecânica Geral e Física ainda continuaram na EESC, por algum tempo, a reagruparem-se. Alguns assistentes de Mecânica Geral, Almir Massambani, Silvio Goulart Rosa Júnior a Rogério Cantarino Trajano da Costa, optaram it para o Departamento de Física. Bohdan Matvienko, que possuía afinidade com a química, permaneceu no DQFM, cujo titular lançou-se à tarefa de encontrar pessoal de química na USP a em outras universidades do país.

A busca parecia infrutífera uma vez que dificilmente pessoas habilitadas e já assentadas optariam vir para uma Escola de Engenharia sem qualquer atividade de pesquisa em Química além das didáticas para estudantes de engenharia e, além disto, numa cidade pequena no interior paulista.

Em Ribeirão Preto, na Faculdade de Filosofia, havia um grupo de belgas que estavam no Brasil cumprindo um programa de serviço ultramarino em substituição ao serviço militar. Eram da área de química a já estavam radicados no país. Desejavam também mudar de cidade. Assim foram transferidos a contratados Robert Ange Marie Camile De Groote (03/03/1969), Johannes Rüdiger Lechat (05/03/1969), Claude Armand Vanderoost (05/03/1969) e do Rio de Janeiro, Francisco de Assis Gonçalves de Amorim Brandão (01/08/1969), que permaneceu por pouco tempo em São Carlos. Concomitantemente com este reforço de pessoal docente, sem titulação ainda, coube-nos organizar toda a estrutura administrativa a técnica do novo departamento, que passou a funcionar com os recursos dos projetos de pesquisas da antiga cátedra de Mecânica Geral. As instalações de laboratório nesta ocasião eram precárias e resumiam-se a um laboratório didático para prática de química pelos estudantes de engenharia. No prédio da Rua 9 de Julho havia um salão com bancadas que inicialmente começou a ser usado para desenvolvimento de pequenos projetos de pesquisas. Também, nesta ocasião, a secretaria da cátedra de Mecânica Geral e os técnicos de eletrônica e mecânica do Laboratório de Ressonância Magnética passaram a fazer parte do novo departamento. Foi possível contratar mais técnicos em química para apoio às aulas práticas e para auxílio aos grupos de pesquisas que fossem estabelecidos. As primeiras teses de doutoramento pelo regime vigente então, começaram a ser definidas. Como resultado de seu trabalho em Pittsburgh, no Laboratório de Cristalografia de raioX, com George A Jeffrey a Bryan Craven, Mabel Rodrigues defendeu em 1968 a primeira tese de doutoramento, na área da Química, na EESC, intitulada "Determinação da Estrutura Tridimensional do Veronal II".

Em 1969, Bohdan Matvienko, defendeu a segunda tese "Contribuição ao Estudo dos Vidros por Ressonância Paramagnética de Elétrons". Outras teses de doutoramento se seguiram nos três anos seguintes: a de Johannes Rüdiger Lechat, orientado por Mabel Rodrigues, a de Robert Ange Marie Camile De Groote, por Edson Rodrigues e a dos antigos assistentes, Almir Massambam a Sylvio Goulart Rosa Júnior, que optaram pela física, pelos seus respectivos orientadores.

Outros docentes foram trazidos para São Carlos no final da década . Foram feitos esforços junto ao CNPq para localizar jovens doutores brasileiros, na área de Química, que estivessem de volta ao país, sem resultado imediato. Assim, partimos para tentar a vinda de jovens estrangeiros com boa formação acadêmica e alguma experiência, pelo menos em disciplinas teóricas. Em 1969, da Venezuela, trouxemos como professor visitante, pelo período de 12 meses, Carlos Frederico Bunge, da área de Química Teórica, com doutoramento nos Estados Unidos.

Em São Carlos outros eventos, no final da década, contribuíram consideravelmente para o êxito da implantação da Química na região. Sérgio Mascarenhas, muito relacionado com o deputado federal de São Carlos, Ernesto Pereira Lopes, convida Edson Rodrigues para participar da instalação da Universidade Federal de São Paulo (Mais tarde UFSCar) uma fundação de direito público. O Presidente da República nomeia um conselho curador que era integrado por Sérgio Mascarenhas a Edson Rodrigues, entre vários outros professores. .Este último é eleito Presidente do Conselho incumbido de implantar física, administrativa a academicamente a nova universidade. A necessidade de formação dos quadros acadêmicos da nova universidade, ao longo dos anos subseqüentes, abriu mais possibilidades para a atração de docentes de alto nível, em especial, provindos do exterior.

4. DÉCADA DE 70. CONSOLIDAÇÃO E EXPANSÃO DAS ATIVIDADES DE QUÍMICA: PROGRAMAS DE MESTRADO, DOUTORAMENTO E GRADUAÇÃO.

Assim, em 1971, contratamos Hugo Jorge Monteiro, bolsista do CNPq, com doutoramento na Califórnia, como professor colaborador, para a área de Química Orgânica, tendo desistido logo depois. Foi possível reforçar a área de Química Teórica trazendo Ana Maria Francisca de Vivier de Bunge, que posteriormente (1971) foi contratada pela Universidade Federal, que iniciava um programa de licenciatura em Matemática, Física, Química e Biologia. Neste período (1972) promovemos a vinda de Ernesto Rafael González, da área de Eletroquímica, inicialmente como professor visitante, tendo sido contratado no final de 1973 a como professor visitante Alícia Batana González, ambos pós-doutores provenientes da Inglaterra.

A partir de 1971 deu-se o começo das nossas atividades de pós-graduação em Química, em São Carlos, com um programa de Mestrado em Físico-Química. Este programa contribuiu para a formação dos nossos próprios quadros docentes e os da Universidade Federal. Neste período fizemos solicitação de credenciamento pelo Conselho Federal de Educação concedido cinco anos depois. As disciplinas deste programa a seus responsáveis aparecem a seguir:

  1. Ressonância Magnética (E. Rodrigues),
  2. Introdução a Termodinâmica Estatística (C. Bunge),
  3. Técnicas Experimentais de Física-Química (B. Matvienko),
  4. Termodinâmica Química Avançada (E. González), Cinética Química A (C. Bunge),
  5. Introdução à Química Quântica (A. Batana), Teoria de Valéncia A (A. Batana),
  6. Química Nuclear A, B (E. Rodrigues), Espectroscopia A (A Bunge),
  7. Eletroquímica A (E. González),
  8. Teoria de Grupos a Aplicações em Química (C. Bunge),
  9. Métodos de Mecânica Quântica Molecular (C. Bunge),
  10. Cálculo Mecânico Quântico de Propriedades físico-químicas (I. Átomos) (C. Bunge),
  11. Seminários de Química Nuclear (B. Matvienko),

O número de alunos em busca de pós-graduação em Química cresceu substancialmente o que permitiu aumentar o número de disciplinas oferecidas a popular os grupos incipientes de pesquisas que se definiam no DQFM.

Nesta ocasião foram alunos dos nossos cursos Elson Longo, Romeu Cardoso Rocha Filho, Sonia Regina Biaggio Rocha, Fulvia Stamato, Alberto Nicodemo Senapeschi, Milton Capelato, entre outros, que iniciaram a consolidaram as atividades de Química na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a onde, atualmente, são professores titulares.

O assessor especializado indicado pela câmara de pós-graduação da reitoria da USP assim se referiu ao nosso programa de mestrado quando solicitamos o credenciamento do doutoramento:

"O exame da documentação anexa, revela que o curso de pós-graduação na área de Físico-Química, em nível de mestrado, do Instituto de Física e Química de São Carlos, registrou um notável crescimento, tanto qualitativo, como quantitativo, a partir do ano de 1971, época em que se iniciou seu funcionamento. Assim, novas disciplinas de pós-graduação foram criadas, outras estão sendo propostas, o corpo docente foi aumentado com a participação de professores de elevada qualificação científica e o número de campos de pesquisa foi consideravelmente expandido. Além disto, cabe acentuar que este aumento de atividades de pós-graduação ocorreu no sentido de caracterizar cada vez mais a área de concentração como uma área típica de Físico-Química, diminuindo assim progressivamente a ligação estreita que, de início, apresentava com a Química Teórica".

Nesta época deu-se a separação administrativa do IFQSC da EESC a implantação da congregação do novo instituto. A indicação do primeiro diretor, que poderia ser um dos dois titulares que chefiavam os dois departamentos existentes, foi contornada por um acordo entre aqueles: sempre convidar um professor da USP de outra unidade. Assim, o primeiro diretor foi Eurípides Malavolta, da Escola de Agronomia de Piracicaba.

Em 1972 a proposta para a implantação da graduação em Química foi aprovada pela Congregação a pelo Conselho Universitário (22108/ 1972).

O prédio da Rua 9 de julho, com todas atividades em curso nesta ocasião, já se mostrava no limite de sua capacidade física. Também os professores, alunos, técnicos o pessoal administrativo, no limite de sua capacidade de improvisação em um prédio antigo. O IFQSC, em plena expansão, necessitava de prédios novos no Campus que crescia Um grande prédio (atual sede do IQSC) foi planejado pelo FUNDUSP, com uma ala para a Física e outra para a Química. Na ala da Química foram construídos os laboratórios para a graduação em química, no andar térreo, a salas de laboratórios de pesquisas, no segundo andar. Isto permitiu a desocupação parcial do prédio da rua 9 de julho, ao longo dos anos. A primeira turma de graduação iniciou suas atividades em 1973.

Para reforçar as atividades de pós-graduação e grupos de pesquisas a capacitar-nos para uma solicitação de um programa de doutoramento foram contratados Luis Alberto Avaca (17/05/1974), pósdoctor proveniente da Inglaterra e mais tarde, Miguel Guillermo Neumann (14/0811975), da Argentina. Novos professores foram contratados para reforçar as atividades de graduação: Regina Helena de Almeida Santos (2910811974), José Talamoni (16112/1975), alunos de pós-graduação do programa de mestrado.

Embora as áreas de pesquisas em Química Teórica, Cristalografia a Raios-X (em conjunto com Yvonne Primerano Mascarenhas, da Física), Química Nuclear, Química Orgânica e Física Molecular já estivessem no processo de consolidação, foi necessário iniciar as atividades em Química Analítica e Instrumental, e Química Inorgânica. Em um período relativamente curto foram contratados Regina Helena Porto Francisco (01/04/1976), Wagner Luiz Polito (0110711976), Ana Maria Gonçalves Dias Rodrigues (09108/1976), Gilberto Orivaldo Chierice (12108/1976), para atuarem no programa de graduação. Um ano depois, veio para São Carlos, proveniente da Faculdade de Filosofia de Ribeirão Preto (USP), Douglas Wagner Franco (19/09/1977), livre-docente na área, para iniciar um novo grupo de pesquisas na área de Química Analítica e Inorgânica.

A fim de reforçar as atividades de graduação alguns integrantes da primeira turma de Química formados no IFQSC foram contratados: Edson Ticianelli (11/1011977), Arthur de Jesus Motheo (11/1011977), Fergus Gessner (11110/1977), que já estavam associados ao grupo de Eletroquímica. Havia necessidade de reforçar a parte de Química Orgânica na graduação, o que foi feito com o contrato de Elisabete Frollini (11/1011977). Para as atividades de Biologia Molecular (Biofísica) contratamos Marcel Tabak (11/10/1977) pos-doctor em Londres, Inglaterra a no ano seguinte Gilberto Goissis (14/0811978) para a área de Bioquímica. A parte de Química Nuclear, logo depois, foi reforçada pelo contrato de Femando Mauro Lanças (30111/1977) e a de Química Analítica com Luiz Henrique Mazo (30/ 1111977).

Em 1978 houve uma alteração importante nos nossos quadros: Carlos Frederico Bunge e Ana Francisca Bunge (UFSCar) resolvem ir para o México. A contribuição do casal Bunge na formação de uma geração de químicos teóricos em São Carlos foi de extrema relevância. Para substituí-los, através de contatos com o NIH (National Institute of Health, Estados Unidos), conseguimos contratar Milan Trsic (14/0811978) proveniente do Canadá, que lidera o setor até hoje.

O programa de doutoramento, resultado natural do programa de mestrado, foi aprovado pela USP (01/12/1976), que recomendou limitar-nos à Físíco-Química.

O elenco de disciplinas oferecidas na área de concentração incluía: Ressonância Magnética A e B, Introdução à Termodinâmica Estatística, Técnicas Experimentais de Físico-Química A e B, Termodinâmica Química Avançada, Cinética Química A, Introdução à Química Quântica, Teoria da Valência A, Química Nuclear A e B, Mecanismos de Reação em Química Orgânica, Princípios Estruturais em Compostos Inorgânicos, Espectroscopia A, Eletroquímica A, B, Teoria dos Grupos a Aplicação em Química, Métodos em Mecânica Quântica Molecular, Seminários em Química Nuclear, Eletroquímica C, Físico-Química Orgânica, Cristalografia A e B, Tópicos em Eletroquímica, Seminários em Eletroquímica, Instrumentação Nuclear, Métodos Diretos em Cristalografia, Determinação de Estruturas Cristalinas por Difração de Raios-X, Tópicos Avançados de Mecanismos de Reações Orgânicas, Tópicos Avançados em Química de Polimerização, Seminários em Polimerização, Seminários Avançados de Magnetismo em Sólidos, Tópicos de Ressonância Magnética a Mecanismo de Reações Bioquímicas. Na área conexa, Dinâmica Avançada, Introdução à Química Molecular, Princípios Estruturais em Compostos Orgânicos, Química de Peptídeos e Conformação de Proteínas, e Técnicas Experimentais em Bioquímica. No final da década as atividades de pesquisas, pós-graduação e graduação atingiram um nível de qualidade que já se fazia notado no resto do país. O nível de pesquisas já era internacional e o programa de doutoramento atraia bom número de pesquisadores nacionais e visitantes estrangeiros. Professores das unidades próximas a da LTSCar, passaram a integrar o nosso quadro de orientadores, entre eles, Yvonne Primerano Mascarenhas , Sérgio Mascarenhas , Eduardo Ernesto Castellano, da Física, Ricardo de Carvalho Ferreira, titular da Universidade de Pernambuco e visitante da UFSCar, e muitos outros.

Do ponto de vista de organização dos grupos de pesquisas, em 1979 tivemos o nosso primeiro projeto de Química aprovado pelo FINEP, contemplando projetos de pesquisas apresentados pelos grupos já existentes: Química Analítica e Inorgânica, Biologia Molecular, Química Estrutural, Radioquímica, Química Orgânica, Estudo de Materiais, Química Biológica, Eletroquímica e Química Orgânica. Tal projeto e os auxílios do CNPq e FAPESP, aos pesquisadores, permitem a consolidação das atividades dos grupos e solução dos problemas de infraestrutura mais prementes.

As condições laboratoriais melhoraram consideravelmente quando ocupamos totalmente a ala da Física do prédio central do instituto atual, mas a Biblioteca e a Física Molecular ainda continuavam na Rua 9 de Julho. Somente alguns anos mais tarde foi possível transferir todo o DQFM, a biblioteca primeiro, para as instalações provisórias atuais e por último, o Laboratório de Ressonância Magnética, para uma casa reformada, que pertencera a uma dos nossos docentes, desapropriada para expansão da área do campus.

5. DÉCADA DE 80. CONSOLIDAÇÁO DO IFQSC-INSTITUTO DE FÍSICA E QUÍMICA DE SÃO CARLOS E SEUS DEPARTAMENTOS.

O Instituto de Física e Química de São Carlos, recém instalado, cresceu de modo acentuado

neste período, com seus membros cumprindo, com presteza, os estágios da carreira universitária A grande maioria dos docentes já tinha feito doutoramento local ou no exterior. Os mais antigos já eram professores titulares, associados ou estavam no estágio de livre-docência, aberto anualmente em todas as áreas.

Foi surpreendente o crescimento dos grupos da Química, com aumento do número de seus integrantes, agora indicados por interesse setorial específico dos chefes dos grupos de pesquisas.

Foram contratados Auro Atsushi Tanaka (04/03/1981), Sérgio Paulo Campana Filho (04/03/1981), Antonio Aprígio da Silva Curvelo (04/03/1981) a Germano Tremiliosi Filho (23/11/1981) no começo da década. Dois anos mais tarde, Albérico Borges Ferreira da Silva (01/12/1983). Durante os próximos quatro anos nenhuma contratação de docentes foi feita. A partir de 1987, sucessivamente, foram contratados Francisco Carlos Nart (27/03/1987), Marcelo Henrique Gehlen (27/03/1987) e transferida do Instituto de Química da USP, Maria Teresa do Prado Gambardella (03/11/1987). No ano seguinte, foram contratados Pedro Berci Filho (26/01/1988) e Benedito dos Santos Lima Neto (08/02/1988).

As atividades dos grupos de pesquisas não só se intensificaram como se diversificaram. Um dos conceitos vigentes na comunidade departamental, já estabelecido desde o começo da implantação da Química, era o da absoluta liberdade de escolha de área de trabalho a grupo de pesquisas. Isto permitiu a reorganização de grupos, por interesse de pesquisas, de atividades ou de afinidade pessoal. Do ponto de vista administrativo, uma vez constituídos seus quadros estruturais, o IFQSC passou a ter diretores da própria casa. No final da década, mais docentes foram contratados pelo DQFM: Maria Olímpia de Oliveira Rezende (02/03/1989), Janice Rodrigues Perussi (02/03/1989), Ana Maria de Guzzi Plepis (15/03/1989), Ernanuel Carrilho (04/07/1989) e Hidetake Imasato (18/01/1990).

A consolidação da área de Físico-Química na pós-graduação já era fato consumado, nesta altura. A abertura de uma nova área, a de Química Inorgânica, uma necessidade que se impunha, ao ser proposta, encontrou resistência por parte da Física, não tendo logrado êxito. Mas, em 1984, com Ernesto Rafael González como chefe do DQFM, uma nova área de concentração em Química Analítica, foi aprovada pela comissão de pós-graduação do IFQSC (23/10/1984). Liderada por Douglas Wagner Franco, então professor adjunto, e mais seis professores livre-docentes e doutores, incluía também professores de outras instituições como Francisco Krug e Elias Zagatto, do CENA e o titular da ESALQ, Henrique Bergamin Filho, em Piracicaba.

As disciplinas oferecidas eram: Tópicos Avançados em Radioquímica, Cromatografia Líquida de Alto Desempenho, Métodos Radioquímicos de Separação a Análise, Reagentes Orgânicos em Química Analítica, Cromatografia em Fase Gasosa, Princípios de Análise em Fluxo Contínuo e Espectrometria de Emissão a Absorção Atômica.

A área da Química Analítica, a partir de 1987, sob a coordenação de Douglas Wagner Franco, expandiu-se consideravelmente, contando, na ocasião, com mais de vinte alunos de mestrado. Esta nova área, por outro lado, mantinha excelentes contatos internacionais, como os outros grupos mais antigos, trazendo para visitas curtas a cursos, pesquisadores internacionais, inclusive Henry Taube, detentor do premio Nobel de Química (1983).

A existência de duas áreas de concentração foi extremamente benéfica para os grupos de pesquisas implantados desde o começo, permitindo-lhes maior liberdade de ação a reagrupamento com novas configurações.

Esta década terminou com o desejo manifesto dos colegas da Física a de muitos da Química, de separar o IFQSC em duas instituições.

6. DÉCADA DE 90

Limitando-nos até o ponto em que houve desmembramento (12/04/1994) do IFQSC em duas novas instituições, Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e Instituto de Física de São Carlos (IFSC), não podemos deixar de mencionar alguns fatos relevantes relativamente ao desenvolvimento da pesquisa e programas de pós-graduação na área da Química em São Carlos.

Em 1996 a comissão de pós-graduação, em solenidade pública, comemorava a realização da centésima tese de doutoramento do programa em Fisico-Química. Os indicadores anuais de produtividade científica da USP colocam a Química de São Carlos como uma das mais relevantes, há já vários anos, das unidades da USP. Seus Programas, tanto de Físico-Química quanto Química Analítica, são considerados pela CAPES entre os melhores do país. A projeção nacional e internacional da Química de São Carlos é proverbial e notória, como demonstra um fluxo continuo de cientistas nacionais a internacionais, ao longo dos anos.

Como comentário final, para os autores é uma satisfação imensa ter tido o privilégio de participar dos sonhos de alguns e da realização de muitos, desde aquele instante em que, ao cruzar a rua principal de São Carlos, pela primeira vez, tivemos que deixar uma boiada passar..., longe dos grandes centros, Berkeley, Rio de Janeiro, São Paulo, numa aventura que se mostrou válida, no interior de São Paulo.

REFERÊNCIAS

Além da memória pessoal dos autores, fatos recuperados por conversas com professores, alunos, técnicos e pessoal administrativo, consultamos os processos indicados abaixo: IFQSC n°- 148/84, Reitoria da USP n° 89.1.33180.1.6 de 28/2/94, Reitoria da USP n-°71.11906.1.4, Reitoria da USP n° 85.1.21351.1.1

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem as homenagens promovidas pelo IQSC, sua diretoria, Prof Dr. Milan Trsic e a dos institutos de Física, Prof Dr. Horácio Carlos Panepucci, a de Matemática, Prof. Dr. Paulo Cesar Maziero e Escola de Engenharia de São Carlos, Prof Dr. Jurandyr Povinelli, ao DQFM, Prof Dr. Fernando Mauro Lanças a pela organização da 1a Semana da História da Química "Prof. Dr. Edson Rodrigues", em setembro de 1998, particularmente ao Prof Dr. Antonio Aprígio da Silva Curvelo, chefe do DFQ e Comissão Especial, pela generosidade e delicadeza. Aos colegas Professores Doutores Douglas Wagner Franco, Marcel Tabak, Regina Helena de Almeida Santos e Sérgio Paulo Campana Filho, pela menção honrosa impressa nos seus trabalhos de pesquisas publicados em revistas científicas internacionais e nacionais, na ocasião daquele evento. Queremos estender nossa profunda gratidão aos colegas que participaram desta jornada, particularmente os que faleceram no período, José Talamoni, Johannes Rüdiger Lechat e Robert Ange Marie Camile De Groote. Aos funcionários técnicos e administrativos, particularmente os do período inicial, das décadas de 50, 60 a 70, Benedito de Souza Moraes Neto, Antonio Guerreiro, Vitoria Atra Gonçalves, Luis Carlos Germano, Maria Inez Tonissi, Sonia Micali, Lauro Teixeira Cotrim, Angélica Dupas, Pardo Ribeiro, Cleire Laurenti, Freid Artur Antonio Donizete Javitório, Elvio Caetano, Maria Diva Landgraf, Maria Helena Zanon Ferreira, Benedito Macedo dos Santos, Célia Maria de Lima, Maria Gibertoni Magalhães e Olga Zocco Farto, entre outros do DQFM a Névio Dias, Maria José P. Arruda., Antonio de Santana Galvão Leite, Lorem Bastos Pereira, Marta Regina Bastos Pereira, Suely Ferro, Flávio Colmati, do IFQSC, nossos agradecimentos pela contribuição, nas suas respectivas áreas, para o sucesso da implantação da Química em São Carlos.

Ao primeiro diretor do Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC), Prof. Dr. Eurípides Malavolta, pelo seu profundo espírito de equilíbrio e justiça nas contendas universitárias.

Finalizando, a Sérgio Mascarenhas a Yvonne Primerano Mascarenhas, com quem dividimos as alegrias, as agruras a as peripécias, nos últimos quarenta anos, pelo "sonho de São Carlos", um sonho de jovens idealistas, "bandeirantes" do Rio de Janeiro, que queriam fazer pesquisas científicas.

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