Sal comum, natrão, álcalis naturais e alume.

Desde tempos remotos estes materiais eram produzidos em grande escala e eram objeto de intenso comércio entre regiões que se estendiam da Ásia à Europa.

O sal comum ou cloreto de sódio, NaCl, era o mais importante e seu comércio intenso levou ao que se conhece como "rotas do sal", pelas quais também transitavam todo tipo de mercadoria valiosa tais como âmbar, sílex, betume, etc..

O sal era obtido de depósitos ou de fontes salobras , no interior, ou de salinas, nas costas marítimas, onde deixava-se evaporar a água do mar

Era usado, como hoje, como tempero e na preservação de carnes, principalmente peixe.

Na Palestina e na Mesopotâmia era utilizado no fabrico do pão.

Para os palestinos o sal tinha uma conotação profundamente religiosa: era usado em oferendas (Lev. II,3;Marcos IX,49) e menciona-se até um pacto do sal (Crônicas 2,XIII,5).

O templo em Jerusalém possuía depósitos de sal que era vendido e pulverizado em almofarizes de madeira.

No Egito o sal era negociado sob forma de tijolos desde 2.200 a.C. e tinha excelente pureza como mostram análises de amostras desta época.

Vários tipos de sal em pedra eram conhecidos como a variedade bruta, que ocorre nas montanhas, o sal gema comum e o vermelho, sal encontrado no deserto, e sal de água salobra.

O sal comum de mesa era obtido deixando-se evaporar líquidos com mistura de cloreto de sódio e sais de magnésio.

O sal do deserto, por sua melhor qualidade, era o preferido nas oferendas religiosas.

Na visão dos povos da Mesopotâmia o sal está associado à noção de pureza (Levítico II,13).

Era também usado em medicina e na obtenção de vidros, esmaltes e na preservação de alimentos, como peixe, cru ou cozido.

No Egito era usado em lamparinas.

Natrão é uma forma de carbonato de sódio que ocorre na natureza.

Mas também podia ser encontrado como eflorescência branca, facilmente pulverizável, em paredes úmidas.

Era chamada de "pó de parede" e comumente usada, na Mesopotâmia , como ingrediente em tinturaria.

Seu uso no Egito era intenso superando o do sal comum.

Era obtido em vários locais, no delta do rio Nilo e em lagoas formadas às suas margens depois das enchentes.

Era obtida uma mistura de carbonato com bicarbonato de sódio com quantidades variáveis de cloreto e sulfato de sódio.

No período Ptolomaico (começo em 320 a.C.) o natrão passou a ser monopólio do estado dada à sua importância na sociedade egípcia.

Muitos termos com conotação religiosa eram usados para denominar esta substância.

O produto puro era chamado de ntrj do qual se deriva a palavra grega nitron.

A palavra egípcia está relacionada com ntr que significa "deus" isto é, "o puro" e com sntr que significa incenso.

O incenso era misturado com o natrão e usado nos templos e para benzer edifícios.

Este uso era também comum na Palestina (Êxodo XXX,35 a 38) e sua produção de responsabilidade dos apotecarios da época..

O álcali utilizado na Mesopotâmia e no Egito era obtido das cinzas de plantas sendo muito usado na lavagem de tecidos.

As plantas usadas ( Salicornia, Chenopodiaceas) podiam ser encontradas em pântanos de água salgada.

Tais plantas possuem alto teor de soda e quando queimadas produzem cinzas com álcali.

Na Palestina o álcali era chamado de borit ou kali sendo usado pelos lavandeiros (Malaquias III,2).

A palavra álcali provém do árabe al-qali que significa cinza de planta.

O álcali era também muito usado na produção de vidro.


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